segunda-feira, 27 de julho de 2009

É começo da noite e estamos eu e o Vinícius sentados num banco entre a banca de revistas e o orelhão, no corredor que desemboca no DCE da Unisinos. Como sempre, acompanhados de uma garrafa de Coca-Cola com qualquer cachaça vagabunda que custasse menos. Aula devidamente matada, o assunto não poderia ser outro:

— Viu aquela Slave-I que saiu lá fora?
— Vi! Meu pai tem que me dar uma! Ele não pode me negar isso! Ele acha que só porque eu já tenho 19 anos eu tenho obrigação de trabalhar e me sustentar! Eu nem filho tenho pra ter obrigação de sustentar quem quer que seja!
— Pois é...ah, botei pra baixar o Blade Runner Director's Cut no Kazaa semana passada e ainda não terminou. Não aguento mais ficar todo dia acordando às seis da manhã pra desconectar aquela naba.
— Nem me fala! Ontem tava faltando dois porcento pra terminar o meu Goonies no Imesh e desligou o computador! Quando ligou de novo, tinha sumido o arquivo! Eu, podre de bêbado, puto da cara e ainda tinha que acordar às onze da manhã pra ir trabalhar hoje!
— É...
— Vamo lá na frente do LEE fumar um cigarro?! Aqui minha mãe pode me ver!

E então eu vejo aquela guria passar. Minha nossa senhora, que cabelo. Curto e bem colado na cabeça.

— Jorge, me dá o trago.

E a roupa, meu deus do céu. Como se veste massa. Aquela saia vermelha. Deve ser a guria mais legal da faculdade, certo que sim.

— Jorge...

E a bunda! Puta que pariu, que bunda. Eu sempre fui um cara que prefere peitos, mas aquela bunda é algo além do inimaginável. Eu poderia me perder ali se soubesse como...

— JORGE, SEU MERDA, ME PASSA A MERDA DESSE TRAGO, MANÉ! Que que tá olhando vidrado ali pra frente?
— Porra, foi mal! É que passou uma guria com uma camiseta do Sonic Youth...

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